15 de dezembro de 2008

A vida é um sopro!

A vida é um sopro!



Ontem acordei e tive o prazer de assistir logo de manhã cedinho um documentário sobre Oscar Niemyer *. “A vida é um sopro”; de Fabiano Maciel e Sacha.
O documentário fala da forma e da arte de arquitetar sem se prender totalmente nesse nicho, mas possue também grande preocupação em passar o Oscar em sua magnitude de pessoa e homem de bem que é.

Há momentos que temos quase a impressão de ser um documentário sobre física quântica por tamanha verbalização de Oscar em relação ao viver, suas experiências e sapiência oriundas de autoconhecimento.


Fazedor de poesia concreta, seu risco é arte cinética desbravando ângulos e curvas quase femininas por todos os lugares. Preenche os espaços com beleza e erotismo, quase impossível para um pífio mortal, posto que, seu pincel e tela são feitos de cimento frio, duro e estático.


Igreja São Francisco de Assis (Belo Horizonte).(Igrejinha da Pampulha). Concluída em 1943.

“Com a obra da Pampulha o vocabulário plástico da minha arquitetura, num jogo inesperado de retas e curvas, começou a se definir”.

A impressão que o documentário nos deixa é que Oscar não aprendeu arte arquitetônica, e sim ser ele próprio feito dela, seu olhar contém a virtude da feitura poética, sua alma é terra onde a vontade de beleza impactante pode ser usufruída por todos. Dentro de sua alçada levou a socialização dessa beleza para os passantes na rua, atingiu o que realmente queria, fazer sua arte para todos. Os ricos podem pagar, mas todos podem ter o prazer em ver!

“Não me sinto importante. Arquitetura é meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com otimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral”. Oscar Niemyer.












A dica de hoje é: “A vida é um sopro”.




Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho; Nascido no Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1907 Considerado um dos nomes mais influentes na Arquitetura moderna internacional. Foi pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do chamado concreto armado.
“Não é o ângulo reto que me atrai, nem alinha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”.











Depois de muito falar dos dias atuais, da indiferença social, da vida e algumas mazelas que o entristece, Oscar é perguntado pelo entrevistador: o que hoje lhe proporciona prazer então? A resposta é curta, enfática e num intervalo único de segundo: “Ah! mulher né...”. Em seguida o vídeo termina com a seguinte frase: Oscar Niemyer casou- se pela segunda vez em 2006 aos 99 anos.

Risos! Eu não me contive e lembrei logo de uma receita da Flávia Quaresma (revista Gula) que condiz muito com o fim inesperado do documentário. Em homenagem ao grande ser Oscar... Mais afrodisíaco, erótico, estimulante e cheio de lirismo e curvas não existe! De acordo com sua obra...

Consommé e creme de fígado de pato com ovos de codorna estrelados.




Bela, criativa, com as formas e texturas da arte do próprio Oscar, essa receita ainda possue um detalhe: o ovinho de codorna... Risos, grande possuidor da fama de trazer vigor e erotismo às pessoas. Realmente não podia faltar no post de hoje!

Eis a receita:

INGREDIENTES (8 porções)
Consommé de pato:
80 g de cebola picada
50 ml de óleo de oliva virgem
10 g de alho (dentes), sem a sementinha interna, picado
5 g de sal
4 g de açúcar
1 g de tomilho, só as folhas (reserve os galhos)
1 g de alecrim, só as folhas (reserve os galhos)
2,5 g de pimenta-branca-doreino moída na hora
2 litros de caldo escuro de pato
200 g de tomates picados grosseiramente
4 claras de ovos
Creme de fígado de pato:
200 g de fígado de pato
300 g de creme de leite
2 gemas
Sal e pimenta-branca-do-reino moída na hora a gosto
Ovos de codorna estrelados:
8 ovos de codorna
5 ml de óleo de oliva para untar as fôrmas
Sal e pimenta-branca-do-reino moída na hora a gosto
Guarnição16 torradas de brioche, redondas, de aproximadamente 5 cm de diâmetro
8 talos de ciboulette
40 folhas de orégano fresco
PREPARO:
Consommé de pato:
Numa panela, sue a cebola no óleo de oliva.
Adicione o alho, o sal, o açúcar, as ervas e as especiarias. Cubra com o caldo e deixe ferver.
Retire as impurezas (espuma que fica na superfície) do caldo, delicadamente, com uma concha. Abaixe o fogo e cozinhe lentamente por 30 minutos.
Coe numa peneira fina. Resfrie imediatamente.
Enquanto isso, bata no processador de alimentos o tomate com os galhos das ervas e as claras. Misture ao caldo de pato. Leve ao fogo, deixe levantar fervura e retire as impurezas.
Abaixe o fogo e deixe cozinhar por 10 minutos. Passe novamente numa peneira fina.Gele rapidamente. Tempere com sal, se necessário. Deverá ser um caldo límpido e brilhante de cor âmbar.
Creme de fígado de pato:
Limpe o fígado de pato retirando as vísceras e quaisquer bolsas de sangue que tenham restado. Pique em cubos e reserve.
Aqueça em uma panela o creme de leite e junte as gemas e o fígado.
Bata muito bem no liquidificador, tempere com sal, pimenta e passe por uma peneira fina.
Despeje essa mistura em fôrmas de silicone ovais de 4,5 cm. Serão 2 unidades por pessoa.
Leve ao forno médio em banho-maria a 100 °C, por 1 hora e meia ou até que esteja bem firme. Reserve em temperatura ambiente. Assim que resfriar, acondicione na geladeira.
Obs.: o creme de fígado pode ser feito em pequeninas fôrmas refratárias.
Ovos de codorna estrelados:
Unte oito formas de silicone para tartelette com óleo de oliva. Quebre e disponha dentro, cuidadosamente, os ovos de codorna. Tempere com sal e pimenta. Leve ao forno a 100 ºC, até ficarem com a clara dura, porém mantendo a gema macia. Leva aproximadamente 4 minutos.
Finalização:
No momento de servir, aqueça o consommé de pato. Coloque num prato de sopa uma boa concha de consommé, centralize uma unidade de creme de fígado, cubra com uma torrada de brioche, disponha outra unidade de creme de fígado e mais uma torrada. Termine colocando sobre a torrada o ovo de codorna estrelado. Decore com folhinhas de orégano sobre o consommé e com as ciboulettes apoiadas no ovo de codorna.

Publicada na edição 188 (Junho/2008) da Gula



Ovos de codorna
Ovo de codorna - rico complexo vitamínico mineral e possui elevado índice de digestibilidade. Ele contém ferro, manganês, cobre, fósforo e cálcio. Ainda é encontrada concentrações de vitaminas B1 e B2, fator PP, ácido pantatênico, piridoxina e vitaminas: E, H, A, C e D. O ovo de codorna equivale em calorias, vitaminas e proteínas a 10 gramas de leite, com um conteúdo maior de ferro.




Para uma dieta equilibrada, é recomendado o consumo de um a dois ovos por semana. O interessante é que o produto pode ser ingerido por qualquer pessoa, até por quem apresenta níveis elevados de colesterol. ''O consumo do ovo não interfere nos níveis de colesterol da pessoa, o que traz alguma interferência é a forma de preparo'', informa a nutricionista Anne Cristine Rumiato, supervisora da Clínica de Nutrição da Unopar.

Por isso, o recomendado é que o ovo seja ingerido cozido, assado ou grelhado. Segundo informações do site da Universidade Federal de Lavras, o nível de colesterol de uma pessoa não é consequência do consumo de um alimento concreto, mas sim, de sua dieta total. Inclusive, medidas restritivas na dieta, devido aos prejuízos em torno do colesterol do ovo, podem levar a situações de deficiência em outros nutrientes.

Para controlar o colesterol, há influência de fatores como a quantidade de vitaminas e minerais dos alimentos e o seu conteúdo de ácidos graxos saturados e polinsaturados e a relação entre ambos. No caso do ovo, esta relação é favorável. O ovo é rico em proteínas, vitaminas e gorduras e ele pode substituir um bife pequeno na alimentação.
De acordo com a Universidade Federal de Lavras, uma dieta restritiva pode desembocar em carências de proteínas, vitaminas e minerais.




Os consumidores de ovos só devem se preocupar com a contaminação por salmonela. A bactéria pode estar presente na ração das aves, uma vez que alguns criadores costumam misturar cartilagem ao alimento dado às aves.
A salmonela fica alojada na casca do ovo, mas pode ocorrer a contaminação quando o ovo for quebrado. A bactéria provoca uma forte intoxicação alimentar.

Você poderá inventar mil receitas com esses pequeninos, desde entradas...


... e antepastos
petiscos...
* Ovo empanado
INGREDIENTES:

3 copos americanos de farinha de trigo (copo americano é obrigatório na cozinha de um botequeiro)
3 copos americanos de leite
1 colher de sopa de margarina
1 cubo de caldo de galinha
sal
25 ovos de codorna (para fazer 25 bolinhos)

MODO DE PREPARO:

Cozinhe os ovos e deixe-os de lado para fazer a massa.
Na panela, junte o leite, a margarina, o caldo de galinha e o sal. Quando ferver, acrescente a farinha e mexa até a farinha dissolver e formar uma bola. Cuidado: a massa pode ficar dura dependendo da quantidade de farinha. Vai colocando aos poucos até chegar no ponto.
Quando a massa der uma esfriada (não é para deixar fria, e sim morna), unte sua mão com margarina e vai trabalhando a massa até ela ficar bem lisa.
Faça uma bolinha da massa e recheie com um ovo de codorna cozido (em algumas receitas, pode ser também ovo picado com carne moída), tomando cuidado para não deixar ar entre a massa e ovo.

Para empanar, pegue um ovo e bata com um copo americano de água. Passe o bolinho nessa mistura e depois passe na farinha de rosca, que pode ser misturada com queijo ralado. Frite em uma panela funda com quatro dedos de óleo bem quente!
... até sushi!!!



Produtor inventa ovo de codorna defumado

O produtor de ovos cozidos de codorna Luiz Mauro Gomes Alves, de Cunha, investiu R$ 26 mil em sua fábrica para aumentar o volume de produção e para lançar uma novidade no país - o ovo de codorna defumado.

Alves, de 47 anos, consegue fornecer a seus clientes 9.000 dúzias de ovos (108 mil unidades) por mês e espera quadriplicar a capacidade em três meses com o investimento.

Os ovos passam por uma câmara de fumaça a uma alta temperatura. O ovo adquire um sabor característico, semelhante ao do bacon e do queijo parmesão. Cada copo custa R$ 2,70 (com 20 ovos).

O empresário compra, cozinha, descasca e tempera os ovos. Ele opera atualmente uma máquina que descasca 1.750 ovos por hora.
Sua fábrica tem ainda as seladoras, que embalam o produto em copos de plástico. Alves espera recuperar o investimento que fez em um prazo de 90 dias.
E para descontrair, posso lembrar de uma música muito ouvida por mim quando ainda era fisioterapeuta... risos... melodia e final perfeitos para esse post de hoje:

Ovo de Codorna
Trio Forrozão
Composição: Luiz Gonzaga

Eu quero ovo de codorna prá "cumê"
o meu problema ele tem que "resolvê"
Eu sou madurão, passei da flor da idade
mas ainda tenho alguma mocidade
Vou cuidar de mim pra não acontecer
Vou comprar ovo de codorna pra "cumê"
Eu quero ovo de codorna prá "cumê"
o meu problema ele tem que "resolvê"
Eu já procurei um "dôtô" meu amigo
ele me falou: "pode contar comigo"
Ele me ensinou e eu passo pra vocês
Pra comprar ovo de codorna pra "cumê"
Eu quero ovo de codorna prá "cumê"
o meu problema ele tem que "resolvê"
Eu andava triste, um pouco apavorado
estavam me fazendo de um pobre coitado
A minha companheira está feliz porquê
Eu comprei ovo de codorna pra "cumê"
Eu quero ovo de codorna prá "cumê"
o meu problema ele tem que "resolvê"
...









Um comentário:

Andre Fiedler disse...

Criativo, Divertido, Interessante... Parabéns! Vc realmente tem o Dom!

Bjs,

Andre.

Quem sou eu

Minha foto
Apaixonada por artes, vinhos, temperos e sabores. Formada em gastronomia pela Universidade Estácio de Sá e Alain Ducasse Formation. Início de carreira Passando pelas Confeitarias Colombo e Kholer, e estágio com Gerci Trevenzolli. Trabalhou como Chef de cozinha do Vieira Souto 500, Café d'France, Restaurante Zéfiro, Marias e Amélias Buffet, Sernambetiba Bistrot, e Restaurante Fiammetta - Rio Design Barra.