

Hoje acordei bem tarde e fui logo abrindo a janela do quarto...

Lá fora está chovendo
Mas assim mesmo eu vou correndo
Só pra ver o meu amor
Ela vem toda de branco
Toda molhada e despenteada
Que maravilha
Que coisa linda é o meu amor
Por intrebancários, automóveis, ruas e avenidas
Milhões de buzinas tocando sem cessar
Ela vem chegando de branco, meiga, linda, pura e muito tímida
Com a chuva molhando o seu corpo
Que eu vou abraçar
E a gente no meio da rua, do mundo, no meio da chuva
A girar
A girar
A girar

Parei alguns minutos inebriada e cantei Que Maravilha* para o belo dia! Belo dia chuvoso?
* Que Maravilha composição de João Bosco

Fiquei a observar as gotinhas chuvosas e salientes, bailarinas de descida no meu jardim de janela. As gotinhas escorregavam brilhantes sobre as folhas e se uniam num balé digno de Ivan Manzoni*.


* Waterwall é um grande espetáculo produzido por Ivan Manzoni e a companhia italiana Materiali Resistenti, utiliza acrobacias sob uma cascata de 20 mil litros d’água, que jorra de uma engenhoca metálica.
Para uns chuva é sinonimo de tristeza, agonia, solidão...
O que falar de referências?
Apenas que cada ser tem as suas... e que delas edificamos o que realmente somos.

Chuva é poesia árdua, fragmentada em gotículas oxidantes, que ferem o coração de quem ama, de quem chora...

Poesia:

Para Ivete Sangalo pode ser efêmera “ Quando a Chuva passar”:
Quando o tempo abrir
Abra a janela
E veja: Eu sou o Sol...
Eu sou céu e mar
Eu sou seu e fim.

Enquanto Raul Seixas desmistifica seu “Medo da Chuva”:
Uma vez eu perdi o meu medo
O meu medo, da chuva
Pois a chuva voltando pra terra traz coisas do ar

O grande Caetano Veloso erotiza, anima e dá gosto a
“ Chuva, suor e cerveja”:
Acho que a chuva
Ajuda a gente a se ver
Venha, veja, deixa
Beija, seja
O que Deus quiser...
A gente se embala
Se embora se embola
Só pára na porta da igreja
A gente se olha
Se beija se molha
De chuva, suor e cerveja...

Que delícia!!!

Tenho certeza que agora e mais que nunca você anda pensando que chuva pode ser algo fresco e sutil, que lava e leva para algum lugar bem distante o calor, a poeira, o lixo, a dor e tristeza. Chuva do bem!

Chuva que acolhe, preenche e abraça.

Olho e vejo a chuva
Caindo de leve
Ocultando tudo lá fora.
Fecho os olhos e
Imagino o sorriso no teu rosto.
Imagino o sabor de um beijo
Molhado como chuva.
Abrigo-me em ti.
Penso se renasci neste dia vago
Como em tantos outros dias vagos
Onde pensei que morri,
Em noites inventadas de nada
E que o nada é teu rosto
Surgindo numa paisagem de nevoeiro.
Não me importa que seja a chuva,
O nevoeiro,
O vento ou a madrugada,
Não me importa
Que seja a noite,
Quero sim,
É que algo te traga.
Nelson Lourenço
E após os momentos de chuva certamente o sol, o dia limpo e claro... Onde o amor voltará, ou mudará de porto e instância. E você vigoroso e feliz sentirá novamente a vontade de recomeço! Vontade de dia e possibilidades.
E caminhar na chuva será poético e bom.

Amar na chuva pode ser mais que inspirador... Romântico, úmido idílico!

Para finalizar o post chuvoso de hoje só mesmo o emblemático bolinho da terceira infância de todos nós... Com sabor de carinho de vó, de tarde chuvosa, de alegria e amor.
Bolinho de chuva

Ingredientes:
2 ovos inteiros
1 xícara de açúcar
2 colheres de manteiga
1 pitada de sal
1 colher de fermento químico
1 xícara de leite
2 xícaras de farinha de trigo
Óleo de canola o quanto baste para fritar os bolinhos em emersão
Açúcar e canela para povilhar os bolinhos prontos
Modo de preparo:
Numa tigela, junte os ovos, o açúcar e o sal e misture bem.
Acrescente alternadamente o trigo e o leite, mexendo sempre.
Junte agora o fermento.
Numa panela média, coloque o óleo, leve ao fogo e espere ficar bem quente, abaixe o fogo e modele os bolinhos com auxílio de duas colheres.
Deixe fritar até que os bolinhos estejam dourados uniformemente. Retire os bolinhos, escorra o óleo no papel toalha e passe em seguida na canela com açúcar.
Uma boa dica é rechear os bolinhos com goiabada, banana, geléias, doce de leite ou chocolate.
Boa sorte!!!

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