27 de outubro de 2009

Chuva de chuvoso, desastradamente molhado!

Chuva de chuvoso, desastradamente molhado!







Hoje acordei bem tarde e fui logo abrindo a janela do quarto...




Lá fora está chovendo
Mas assim mesmo eu vou correndo
Só pra ver o meu amor

Ela vem toda de branco
Toda molhada e despenteada
Que maravilha
Que coisa linda é o meu amor

Por intrebancários, automóveis, ruas e avenidas
Milhões de buzinas tocando sem cessar

Ela vem chegando de branco, meiga, linda, pura e muito tímida
Com a chuva molhando o seu corpo
Que eu vou abraçar

E a gente no meio da rua, do mundo, no meio da chuva
A girar
A girar
A girar




Parei alguns minutos inebriada e cantei Que Maravilha* para o belo dia! Belo dia chuvoso?

* Que Maravilha composição de João Bosco



Fiquei a observar as gotinhas chuvosas e salientes, bailarinas de descida no meu jardim de janela. As gotinhas escorregavam brilhantes sobre as folhas e se uniam num balé digno de Ivan Manzoni*.






* Waterwall é um grande espetáculo produzido por Ivan Manzoni e a companhia italiana Materiali Resistenti, utiliza acrobacias sob uma cascata de 20 mil litros d’água, que jorra de uma engenhoca metálica.


Para uns chuva é sinonimo de tristeza, agonia, solidão...
O que falar de referências?
Apenas que cada ser tem as suas... e que delas edificamos o que realmente somos.




Chuva é poesia árdua, fragmentada em gotículas oxidantes, que ferem o coração de quem ama, de quem chora...



Poesia:




Para Ivete Sangalo pode ser efêmera “ Quando a Chuva passar”:

Quando o tempo abrir

Abra a janela
E veja: Eu sou o Sol...

Eu sou céu e mar

Eu sou seu e fim.




Enquanto Raul Seixas desmistifica seu “Medo da Chuva”:

Uma vez eu perdi o meu medo
O meu medo, da chuva
Pois a chuva voltando pra terra traz coisas do ar



O grande Caetano Veloso erotiza, anima e dá gosto a
“ Chuva, suor e cerveja”:

Acho que a chuva
Ajuda a gente a se ver
Venha, veja, deixa
Beija, seja
O que Deus quiser...

A gente se embala
Se embora se embola
Só pára na porta da igreja
A gente se olha
Se beija se molha
De chuva, suor e cerveja...


Que delícia!!!




Tenho certeza que agora e mais que nunca você anda pensando que chuva pode ser algo fresco e sutil, que lava e leva para algum lugar bem distante o calor, a poeira, o lixo, a dor e tristeza. Chuva do bem!




Chuva que acolhe, preenche e abraça.



Olho e vejo a chuva
Caindo de leve
Ocultando tudo lá fora.
Fecho os olhos e
Imagino o sorriso no teu rosto.
Imagino o sabor de um beijo
Molhado como chuva.
Abrigo-me em ti.
Penso se renasci neste dia vago
Como em tantos outros dias vagos
Onde pensei que morri,
Em noites inventadas de nada
E que o nada é teu rosto
Surgindo numa paisagem de nevoeiro.
Não me importa que seja a chuva,
O nevoeiro,
O vento ou a madrugada,
Não me importa
Que seja a noite,
Quero sim,
É que algo te traga.
Nelson Lourenço

E após os momentos de chuva certamente o sol, o dia limpo e claro... Onde o amor voltará, ou mudará de porto e instância. E você vigoroso e feliz sentirá novamente a vontade de recomeço! Vontade de dia e possibilidades.
E caminhar na chuva será poético e bom.




Amar na chuva pode ser mais que inspirador... Romântico, úmido idílico!





Para finalizar o post chuvoso de hoje só mesmo o emblemático bolinho da terceira infância de todos nós... Com sabor de carinho de vó, de tarde chuvosa, de alegria e amor.

Bolinho de chuva





Ingredientes:

2 ovos inteiros
1 xícara de açúcar
2 colheres de manteiga
1 pitada de sal
1 colher de fermento químico
1 xícara de leite
2 xícaras de farinha de trigo
Óleo de canola o quanto baste para fritar os bolinhos em emersão
Açúcar e canela para povilhar os bolinhos prontos

Modo de preparo:

Numa tigela, junte os ovos, o açúcar e o sal e misture bem.
Acrescente alternadamente o trigo e o leite, mexendo sempre.
Junte agora o fermento.
Numa panela média, coloque o óleo, leve ao fogo e espere ficar bem quente, abaixe o fogo e modele os bolinhos com auxílio de duas colheres.
Deixe fritar até que os bolinhos estejam dourados uniformemente. Retire os bolinhos, escorra o óleo no papel toalha e passe em seguida na canela com açúcar.
Uma boa dica é rechear os bolinhos com goiabada, banana, geléias, doce de leite ou chocolate.
Boa sorte!!!


19 de outubro de 2009

Primeiro ato: Pensar






Hoje acordei pensando... e em seguida pensei cá comigo: Já pensando Bell?
E incrédula, pensando no pensando, nesse já exausto em mim, como ato e regra para tudo! Fui interrompida*... a música acabou e as sílabas foram citadas vagarosamente em versos. Levantei e me pus a acompanhar...

“ Pra quê querer saber se é noite ou faz calor?
Se estamos no verão?
Pra quê amendoeiras?
Para que servem as ruas? ”

* (Maria Bethânia em Maricotinha)


Ufa! Não sou só eu que fica no carrossel infindável do pensar...






Esse interrogativo texto serviu com plena exatidão para o momento.

Adriana Calcanhotto - Cantada (Depois de ter você)
Depois de ter você,
Pra que querer saber... que horas são?
Se é noite ou faz calor... se estamos no verão...
Se o sol virá ou não...
Ou pra que é que serve uma canção, como essa?

Depois de ter você, poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas...
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas... depois de ter você?

Depois de ter você,
Pra que querer saber... que horas são?
Se é noite ou faz calor... se estamos no verão...
Se o sol virá ou não...
Ou pra que é que serve uma canção, como essa?

Depois de ter você, poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas...
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas... depois de ter você?




Como dos justos a coragem...
Como dos ativos, anima e fora dos padrões... para mim, o pensar.
Pensar é a única vertente que faz variar os semelhantes, é carabina dos loucos.
Minha atual companhia fiel.
Meu único ato simples e primitivo é o pensar.





Grandes pensadores da Humanidade. Da esquerda para direita: Galileu, Newton, Mendel, Darwin, Pasteur, Lavoisier, Fleming, Einstein, Thomson e Rutheford.



E o que combinaria com essa manhã agradável e pensativa para beber? Café!





Bebida constituída a partir da semente do fruto do cafeeiro.




Mas como foi feito o primeiro cafezinho?





No fim do dia o pastor Kaldi foi ao encontro de suas cabras e as viu pulando alucinadamente em volta de uma árvore carregada de frutinhas vermelhas. Acabou comendo também um punhado das frutinhas e ficou tão excitado quanto seus animais.



Kaldi notou que as frutas eram fonte de alegria e motivação, e somente com a ajuda delas o rebanho conseguia caminhar por vários quilômetros por subidas infindáveis.





Intrigado, o pastor tratou logo de relatar a mudança de comportamento das cabras a um frade...

Abismado, o clérigo tratou de retirar amostras das frutinhas vermelhas e atirá-las no fogo para exorcizá-las, julgando tudo obra ardilosa do diabo, depois de temidos dois minutos um aroma delicioso se fez presente no monastério. Com medo o frade decidiu interromper a combustão derramando um jarro de água.

Estava pronto o primeiro cafezinho!








Embriagado pelo cheiro, o frade provou uma dose do líquido escuro e rezou a noite toda sem sentir sono. Convencido de que na verdade era divino o chá das frutinhas vermelhas.




A cafeína chega às células do corpo em menos de 20 minutos após a ingestão do café. No cérebro, a cafeína aumenta a influência do neurotransmissor dopamina.
Essa história, na verdade, é contada no Iêmen, país da Península Arábica separado da Etiópia pelo Mar Vermelho.
"De fato, essa região foi onde os navegadores europeus tiveram o primeiro contato com o café", conta Kebede Beyene, historiador e professor de História Natural da Universidade de Adis-Abeba. "Mas as evidências botânicas indicam que a Coffea arabica, como se chama a espécie, é originária dos platôs da Etiópia. Ali, ainda hoje, ela pode ser observada em seu estado selvagem", afirma.

Para ganhar o mundo, as sementinhas cruzaram continentes e oceanos enfurnadas em bolsos, porões de navios e até maços de flores.






Os árabes foram os primeiros a ter a idéia genial de torrar os grãos e fazer uma bebida com eles, mas isso só aconteceu no século XI. Até então os etíopes apenas comiam o fruto.

Durante anos, os árabes só exportaram o grão torrado. Assim, evitava-se que outras nações pudessem plantá-lo.





Mas, no século XVI, um contrabandista conseguiu carregar sementes até a Índia. De lá, os grãos foram para a Europa. No século XVII e XVIII Holanda e França já tinham estabelecido plantações em suas colônias e escondiam as sementes como se fossem pedras preciosas.






Em 1727, os dois países se confrontaram numa disputa diplomática de fronteira entre suas colônias nas Guianas.

O Brasil foi escolhido para mediar o conflito e enviou o sargento-mor português Francisco de Melo Palheta a Caiena. Palheta teria se tornado amigo - ou amante, na versão romântica - da esposa do governador da Guiana Francesa, Claude d'Orvilliers.
Na despedida do sargento-mor, madame d'Orvilliers lhe teria dado um buquê de flores entre as quais, escondidas, havia preciosas sementes de café.

No Brasil, a planta prosperou tanto que, em 1906, 97 em cada 100 cafezinhos do mundo provinham de sementes brasileiras, descendentes daquelas contrabandeadas por Palheta.

Apesar de tantas viagens, o pé de café permaneceu igual àquele que cresce há milênios em Kaffa, exceto pelo tamanho, que é menor nas plantações. "As diferenças no sabor devem-se à qualidade de solo, à umidade e ao clima onde a árvore se desenvolve", segundo o agrônomo iemenita Abdullah Saleh, exportador de café na Etiópia.






A produção brasileira no começo do século XX desferiu um golpe mortal na cambaleante economia etíope, cujas lavouras não eram páreo para as plantações paulistas. Embora o café continue a principal riqueza do país - 230 000 toneladas por ano, em comparação com 1,3 milhão de toneladas produzidas no Brasil.


O consumo moderado de café (de três a quatro xícaras por dia) exerce efeito de prevenção de problemas tão diversos como o mal de Parkinson, a depressão, o diabetes, os cálculos biliares, o câncer e o consumo de drogas e álcool. Além disso melhora a atenção e, conseqüentemente, o desempenho escolar.
O café contém vitamina B, lipídios, aminoácidos, açúcares e uma grande variedade de minerais, como potássio e cálcio, além da cafeína.

O café tem propriedades antioxidantes, combatendo os radicais livres e melhorando o desempenho na prática de esportes.
Melhora a taxa de oxigenação do sangue.





Tipos de Café:

Pó de Café (torrado e moído) – dependendo do grau de moagem, esse tipo pode ser utilizado para preparar o café de coador ou o expresso.

Grãos de café torrado – os grãos de café são apenas torrados, mas não moídos. Mais comum para café expresso.

Café solúvel – os grãos são torrados e moídos, depois seus sólidos solúveis são extraídos e solubilizados, resultando o produto na forma de grânulos ou pó.

Café aromatizado – café com adição de aroma.

Café gourmet – trata-se de uma indicação comercial de que o produto é o melhor dentro de uma determinada marca ou categoria.

Café orgânico – produzido em lavouras sem o uso de agrotóxicos fertilizantes químicos.

Café descafeinado – a cafeína é extraída dos grãos verdes de café, antes de eles serem torrados. Para ser chamado de descafeinado, um café tem que ter mais de 97% de sua cafeína retirada.

Preparo do café:


Café Percolado: nesse caso a água passa pelo café torrado e moído, extraindo-lhe parte das substâncias que irão compor a bebida. A preparação do café percolado pode ser:

- A frio: o café torrado e moído é deixado em infusão em água fria por um período de cerca de 12 horas. O resultado é um café muito forte, geralmente utilizado no preparo de bebidas frias ou servir como ingrediente em culinária.
- A quente sem pressão e com filtro: neste tipo de preparo obtém-se o café filtrado, despejando água quente (não fervida) sobre o café torrado e moído que se encontra em um filtro ou coador.

Café espresso: neste método o café é percolado a quente, mas sob pressão em máquina apropriada. A máquina pode ser comercial ou doméstica.

Café instantâneo: também chamado café solúvel, os grânulos de café preparado industrialmente são simplesmente dissolvidos diretamente em água fervente.







Características da Bebida:


A bebida pode ser caracterizada por vários fatores como a doçura, o amargor, acidez, corpo e aroma.

- Doçura: são cafés mais finos, mais adocicados e permitem a degustação sem adição de açúcar. O excesso de grãos verdes, pretos ou ardidos, não apresenta doçura perceptível;

- Amargor: é o gosto produzido pela cafeína, que é mais equilibrado nos cafés de melhor qualidade. O café com amargor muito forte, que incomoda a garganta, é proveniente de café de baixa qualidade ou de uma torra muito acentuada.

- Acidez: é a sensação obtida na parte lateral da língua mais desejável pelo consumidor europeu.

- Corpo: é uma sensação na boca causada por uma persistência no paladar, o que enriquece a bebida.

- Aroma: os bons cafés têm um aroma bem pronunciando. A maior acidez do café permite maior percepção ao aroma, que pode ser – frutado, florado, achocolatado ou outros.




Um bom exemplo de amante dos cafezinhos é o nosso pintor Cândido Torquato Portinari (1903 – 1962). Produziu quse 5 mil obras entre pequenos esboços a gigantescos murais.

Alcançou projeção internacional de grande destaque.




Nasceu numa fazenda de café, Santa Rosa, no interior de São Paulo, filho de imigrantes italianos. Sua vida no interior de São Paulo foi inspiração para perenes obras, onde podemos observar o café como insumo artístico de suma importância.

Em suas obras, o pintor conseguiu retratar questões sociais sem desagradar ao governo e aproximou-se da arte moderna européia sem perder a admiração do grande público. Suas pinturas se aproximam do cubismo, surrealismo e dos pintores muralistas mexicanos, sem, contudo, se distanciar totalmente da arte figurativa e das tradições da pintura. O resultado é uma arte de características modernas.

Uma das obras mais importantes de Portinari, O lavrador de café, foi furtada do segundo andar do MASP na madrugada do dia 20 de dezembro de 2007, em uma ação de três minutos, juntamente com o quadro Retrato de Suzanne Bloch, de Picasso. Estas obras foram resgatadas e restituídas ao museu dia 8 de janeiro de 2008, sem sofrer avarias.





Outra obra importante de Portinari utilizando como pano de fundo café...





O café pode ser usado com criatividade, em pratos salgados ou doces...
PERNIL AO MOLHO DE CAFÉ




Ingredientes:


Para a marinada:
1 pernil de mais ou menos 4kg
400g de bacon
10 dentes de alho cortados ao meio
molho inglês
2 cebolas grandes em cubos
2 copos de vinho branco seco
1 cenoura grande em rodelas grossas
1 talo de alho poro em rodelas
200ml de molho pronto barbecue
Sal
Pimenta-do-reino e vermelha
8 folhas de louro
2 cravos da índia


Para o molho:
1 xícara (chá) de café forte e de preferência instantâneo
1 colher (sopa) de molho de pimenta
Salsa picada e limão


Modo de preparo:

Deixe o pernil de molho na água durante 1 hora para sair todo sangue.
A seguir, com uma faca de ponta faça furos e introduza tiras de bacon.
Deixe macerando de um dia para outro na geladeira com a marinada.

No dia seguinte, escorra o pernil do tempero, reserve a marinada, leve ao forno brando coberto com papel alumínio, cozinhe lentamente, até espetar o garfo na carne com facilidade.
Retire o papel e deixe assando até dourar, de vez em quando vire-o e regue com a marinada.
Quando estiver com o dourado desejado passar um pouco de manteiga com mel e assar por mais 15 minutos sem regar mais.

Junte a marinada que sobrou mais os insumos do molho e deixe reduzir no fogo, quando estiver na espessura desejada é só coar e servir.

Acompanhamentos: Arroz branco, batatas, farofa, legumes ou ainda frutas...

Boa Sorte!!!








































































































































































































































8 de setembro de 2009

Retornar sempre é bom!









Desde dezembro ao longo dos dias passantes, tenho sentido uma grande vontade de escrever no meu blog... Mas dei-me conta só a umas semanas das minhas sabotagens... (Vulgo falta de tempo). E tanta coisa se passou, tantos posts mentais... Que para meu descontentamento só existiu na vontade, na idéia, na mente.
Enfim, o que passou, passou.





A revista VIDA SIMPLES, para quem quer viver mais e melhor, bem dialogou comigo sobre o tema, risos.

A mais de duas semanas atrás recebi meu exemplar da revista*. Ainda embrulhada e esquecida, devido a minha falta de tempo, pude hoje sentar na cama e parar de manhã para pensar. Aliás, ando num processo de organização de tantos pensamentos que me invadem o pondonor nesses últimos meses...
* Setembro de 2009, Título da capa: Não empurre com a barriga (nem entre no círculo vicioso de adiar planos e atividades em sua vida. Da louça suja à conversa séria, o mundo quer você agora!). Tratando com magnitude da palavra protelar e postergar Rafael Tonon.

Pensei como ando trabalhando, comendo, tomando banho, escovando os dentes... Tudo muito rápido, superficial, leve... Fulgo e sem nexo! Onde estou eu nisso tudo? Estou me esquecendo? Não me cuido, ando sem humor, mal tenho tempo de uma boa escovada de dentes no início dos dias. O que é isso companheira?

Não, hoje não. Porque eu estou de folga, porque eu mereço, porque o dia está lindo e vibrante, porque eu devo muito a mim!

Escovei bem os dentes e pensei em tomar um ótimo café da manhã...
Pães quentinhos, café com leite, manteiga clarificada, geléia caseira e revista VEJA, nada melhor que isso pode me dar tamanho prazer em existir. E eu havia esquecido! O homem tatua no corpo e é capaz de se esquecer da própria tatuagem.

Percebi que ao fazer aquilo que realmente tenho vontade; o que vale para mim, desperto minha própria capacidade de ver entorno, do observar. De ver que estou contida numa conjuntura onde existem todas as possibilidades. Que eu apenas faço parte e devo apenas contribuir com isso (fazendo parte), e dessa forma apenas viver.

Antes da minha pífia existência vem o mundo, os jardins, os sentimentos, o sol, as pessoas, flores, cidades, substancias... Descentralizar eu própria, deixar de ter que ser sol em tudo, tira da gente um grande peso da alma.


O meu mar, Paula Loureiro.

E aí quando fazemos o que desejamos... a natureza (O entorno) se encarrega do resto! Porque encontramos o lugar de contido, de fazer parte e dessa forma uma sensação de livre nos invade e deixamos o lugar de sol*, de tudo, para o astro rei da galáxia.
*SOL, estrela em torno da qual giram a Terra e os outros planetas do sistema solar (Aurélio).





Quando a gente relaxa e pára e vive... O que simplesmente somos na mais bonita e pura obra do criador, tudo dá certo, tudo acontece! Porque existimos. E só.
Retomo hoje meus posts... Num dia que para você pode até não ser, mas para mim sem nenhum risco de dúvida é e será um dos melhores. Porque estou fazendo as coisas que gosto, porque não estou me sabotando, porque entendi mais um pontinho diante de tantas palavras que sei que terei da vida...

Minha proposta desde o início com o blog era levar um pouco de cultura e poesia, de belo para quem quisesse. Era mostrar que não só para mim, mas que temos sempre um olhar gastronômico sem perceber nas coisas que nos agradam, a sinérgica presença da comida em nós e no entorno. Por tal motivo...

Começo o post de hoje com uma frase do NEW YORK TIMES: “Amélie é uma brilhante realização”. E enfatizo com o subtítulo dessa obra cinematográfica, ela mudará sua vida. Certo! Bingo, a dica de hoje e emblemática posso assim por dizer:



O fabuloso destino de Amélie Poulain.



É deixar a natureza, o curso das coisas...

É deixar a arte existir sem ter que ser compreendida e estudada...

É fazer um delicioso bolo de passas...

Sempre alugo filmes, e sempre entrego na data errada! Atrasada e sem ter visto todos.
Enquanto tomava café da manhã resolvi ver o filme que faltava, e entregar na data correta todos!
Nossa que dia... Que filme...

O que dizer de Amélie?

Chorei com ela... Balbuciei os lábios, tremi.
Me vi muitas vezes as voltas com a Amélie e simplesmente chorei. Todos nós somos um pouco de Amélie Poulain.

No momento em que lhe faltou fermento para o bolo de passas e seu gato apareceu no lugar de seu grande amor, pensei numa frase ouvida na casa de um amigo, há algumas semanas atrás, em meio a musicalidade de Roberto Carlos e Erasmo, Chico Science cita*: “Ei, você aí sentado, levante-se! Há um líder dentro de você. Governe-o. Faça-o falar...” Quem pensa que eu contei o filme se engana, porque só quem se der ao direito de ver, terá o entendimento aqui por completo!

* Todos estão surdos
Desde o começo do mundo
Que o homem sonha com a paz
Ela está dentro dele mesmo
Ele tem a paz e não sabe
É só fechar os olhos
E olhar pra dentro de si mesmo
Tanta gente se esqueceu
Que a verdade não mudou
Quando a paz foi ensinada
Pouca gente escutou
Meu Amigo, volte logo
Venha ensinar meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo
Outro dia, um cabeludo falou:
"Não importam os motivos da guerra
A paz ainda é mais importante que eles."
Esta frase vive nos cabelos encaracolados
Das cucas maravilhosas
Mas se perdeu no labirinto
Dos pensamentos poluídos pela falta de amor.
Muita gente não ouviu porque não quis ouvir
Eles estão surdos!
Tanta gente se esqueceu
Que o amor só traz o bem
Que a covardia é surda
E só ouve o que convém
Mas meu Amigo volte logo
Vem olhar pelo meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo
Um dia o ar se encheu de amor
E em todo o seu esplendor as vozes cantaram.
Seu canto ecoou pelos campos
Subiu as montanhas e chegou ao universo
E uma estrela brilhou mostrando o caminho
"Glória a Deus nas alturas
E paz na Terra aos homens de boa vontade"
Tanta gente se afastou
Do caminho que é de luz
Pouca gente se lembrou
Da mensagem que há na cruz
Meu Amigo, volte logo
Venha ensinar meu povo
Que o amor é importante
Vem dizer tudo de novo
Você que está aí sentado, levante-se, há um líder dentro de você: governe-o, faça-o falar!

Antes de qualquer ato físico, rotineiro, encantador, mal, necessário, orgânico ou real. Levante-se e faça você falar...

Lágrimas sinceras dei para Amélie, por Amélie e por mim na verdade.
Os espelhos são cruéis.

Hoje este filme entrou para meu rol dos mais lindos filmes que tive a oportunidade de ver.
Lindo com toda magnitude que a palavra pode significar...
É o belo em expressão física de cenas da vida real no cinema. Idílico. Existencialmente delicado e gracioso!
A vida mesmo sem maiores explicações e compreensões pode ter beleza.

Farei tudo que sou. Será uma promessa para mim.

Hoje no café da tarde comerei bolo de passas. Risos! Afinal Amélie, eu e você merecemos.


Bolo de passas





Ingredientes:
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 xícaras (chá) de amido de milho
2 xícaras (chá) de açúcar
1 xícaras (chá) de leite integral
3 ovos
100 g de manteiga
1 colher de chá de essência de amêndoas ou um cálice de vinho do porto
2 colheres (chá) de fermento químico em pó
1 pitada de sal
Meia xícara de chá de uva passa preta e branca
Meia xícara de chá de damasco e nozes
Obs: Passar na farinha de trigo as frutas secas e as nozes para não ficar tudo no fundo! O trigo atrita com a massa fazendo com que fique tudo mais ou menos distribuído, conforme você colocou na forma.

Preparo:
Bata bem o açúcar, manteiga e as gemas. Até ficar um creme bem branquinho e com o dobro de volume.
Peneire os ingredientes secos, junte-os.
Alternadamente acrescente os secos e o leite. Deixe bater até que o creme esteja completamente íntegro.
Acrescente as claras em neve e pare de bater! Misture apensa com a mão utilizando uma espátula, acrescente as frutas secas envoltas no trigo, assim como as nozes. Delicadamente para que fique apenas distribuído e não afunde...
Despeje em uma forma untada com manteiga apenas e leve ao forno para assar. 180 graus, + ou – 30’.


Um bolo simples e delicioso, como a vida verdadeiramente é.


















Quem sou eu

Minha foto
Apaixonada por artes, vinhos, temperos e sabores. Formada em gastronomia pela Universidade Estácio de Sá e Alain Ducasse Formation. Início de carreira Passando pelas Confeitarias Colombo e Kholer, e estágio com Gerci Trevenzolli. Trabalhou como Chef de cozinha do Vieira Souto 500, Café d'France, Restaurante Zéfiro, Marias e Amélias Buffet, Sernambetiba Bistrot, e Restaurante Fiammetta - Rio Design Barra.