Hoje acordei pensando... e em seguida pensei cá comigo: Já pensando Bell?
E incrédula, pensando no pensando, nesse já exausto em mim, como ato e regra para tudo! Fui interrompida*... a música acabou e as sílabas foram citadas vagarosamente em versos. Levantei e me pus a acompanhar...
“ Pra quê querer saber se é noite ou faz calor?
Se estamos no verão?
Pra quê amendoeiras?
Para que servem as ruas? ”
* (Maria Bethânia em Maricotinha)
Ufa! Não sou só eu que fica no carrossel infindável do pensar...
Esse interrogativo texto serviu com plena exatidão para o momento.
Adriana Calcanhotto - Cantada (Depois de ter você)
Depois de ter você,
Pra que querer saber... que horas são?
Se é noite ou faz calor... se estamos no verão...
Se o sol virá ou não...
Ou pra que é que serve uma canção, como essa?
Depois de ter você, poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas...
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas... depois de ter você?
Depois de ter você,
Pra que querer saber... que horas são?
Se é noite ou faz calor... se estamos no verão...
Se o sol virá ou não...
Ou pra que é que serve uma canção, como essa?
Depois de ter você, poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas...
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas... depois de ter você?
Como dos justos a coragem...
Como dos ativos, anima e fora dos padrões... para mim, o pensar.
Pensar é a única vertente que faz variar os semelhantes, é carabina dos loucos.
Minha atual companhia fiel.
Meu único ato simples e primitivo é o pensar.
Grandes pensadores da Humanidade. Da esquerda para direita: Galileu, Newton, Mendel, Darwin, Pasteur, Lavoisier, Fleming, Einstein, Thomson e Rutheford.
E o que combinaria com essa manhã agradável e pensativa para beber? Café!
Bebida constituída a partir da semente do fruto do cafeeiro.
Mas como foi feito o primeiro cafezinho?
No fim do dia o pastor Kaldi foi ao encontro de suas cabras e as viu pulando alucinadamente em volta de uma árvore carregada de frutinhas vermelhas. Acabou comendo também um punhado das frutinhas e ficou tão excitado quanto seus animais.
Kaldi notou que as frutas eram fonte de alegria e motivação, e somente com a ajuda delas o rebanho conseguia caminhar por vários quilômetros por subidas infindáveis.
Intrigado, o pastor tratou logo de relatar a mudança de comportamento das cabras a um frade...
Abismado, o clérigo tratou de retirar amostras das frutinhas vermelhas e atirá-las no fogo para exorcizá-las, julgando tudo obra ardilosa do diabo, depois de temidos dois minutos um aroma delicioso se fez presente no monastério. Com medo o frade decidiu interromper a combustão derramando um jarro de água.
Estava pronto o primeiro cafezinho!
Embriagado pelo cheiro, o frade provou uma dose do líquido escuro e rezou a noite toda sem sentir sono. Convencido de que na verdade era divino o chá das frutinhas vermelhas.
A cafeína chega às células do corpo em menos de 20 minutos após a ingestão do café. No cérebro, a cafeína aumenta a influência do neurotransmissor dopamina.
Essa história, na verdade, é contada no Iêmen, país da Península Arábica separado da Etiópia pelo Mar Vermelho.
"De fato, essa região foi onde os navegadores europeus tiveram o primeiro contato com o café", conta Kebede Beyene, historiador e professor de História Natural da Universidade de Adis-Abeba. "Mas as evidências botânicas indicam que a Coffea arabica, como se chama a espécie, é originária dos platôs da Etiópia. Ali, ainda hoje, ela pode ser observada em seu estado selvagem", afirma.
Para ganhar o mundo, as sementinhas cruzaram continentes e oceanos enfurnadas em bolsos, porões de navios e até maços de flores.
Os árabes foram os primeiros a ter a idéia genial de torrar os grãos e fazer uma bebida com eles, mas isso só aconteceu no século XI. Até então os etíopes apenas comiam o fruto.
Durante anos, os árabes só exportaram o grão torrado. Assim, evitava-se que outras nações pudessem plantá-lo.
Mas, no século XVI, um contrabandista conseguiu carregar sementes até a Índia. De lá, os grãos foram para a Europa. No século XVII e XVIII Holanda e França já tinham estabelecido plantações em suas colônias e escondiam as sementes como se fossem pedras preciosas.
Em 1727, os dois países se confrontaram numa disputa diplomática de fronteira entre suas colônias nas Guianas.
O Brasil foi escolhido para mediar o conflito e enviou o sargento-mor português Francisco de Melo Palheta a Caiena. Palheta teria se tornado amigo - ou amante, na versão romântica - da esposa do governador da Guiana Francesa, Claude d'Orvilliers.
Na despedida do sargento-mor, madame d'Orvilliers lhe teria dado um buquê de flores entre as quais, escondidas, havia preciosas sementes de café.
No Brasil, a planta prosperou tanto que, em 1906, 97 em cada 100 cafezinhos do mundo provinham de sementes brasileiras, descendentes daquelas contrabandeadas por Palheta.
Apesar de tantas viagens, o pé de café permaneceu igual àquele que cresce há milênios em Kaffa, exceto pelo tamanho, que é menor nas plantações. "As diferenças no sabor devem-se à qualidade de solo, à umidade e ao clima onde a árvore se desenvolve", segundo o agrônomo iemenita Abdullah Saleh, exportador de café na Etiópia.
A produção brasileira no começo do século XX desferiu um golpe mortal na cambaleante economia etíope, cujas lavouras não eram páreo para as plantações paulistas. Embora o café continue a principal riqueza do país - 230 000 toneladas por ano, em comparação com 1,3 milhão de toneladas produzidas no Brasil.
O consumo moderado de café (de três a quatro xícaras por dia) exerce efeito de prevenção de problemas tão diversos como o mal de Parkinson, a depressão, o diabetes, os cálculos biliares, o câncer e o consumo de drogas e álcool. Além disso melhora a atenção e, conseqüentemente, o desempenho escolar.
O café contém vitamina B, lipídios, aminoácidos, açúcares e uma grande variedade de minerais, como potássio e cálcio, além da cafeína.
O café tem propriedades antioxidantes, combatendo os radicais livres e melhorando o desempenho na prática de esportes.
Melhora a taxa de oxigenação do sangue.
Tipos de Café:
Pó de Café (torrado e moído) – dependendo do grau de moagem, esse tipo pode ser utilizado para preparar o café de coador ou o expresso.
Grãos de café torrado – os grãos de café são apenas torrados, mas não moídos. Mais comum para café expresso.
Café solúvel – os grãos são torrados e moídos, depois seus sólidos solúveis são extraídos e solubilizados, resultando o produto na forma de grânulos ou pó.
Café aromatizado – café com adição de aroma.
Café gourmet – trata-se de uma indicação comercial de que o produto é o melhor dentro de uma determinada marca ou categoria.
Café orgânico – produzido em lavouras sem o uso de agrotóxicos fertilizantes químicos.
Café descafeinado – a cafeína é extraída dos grãos verdes de café, antes de eles serem torrados. Para ser chamado de descafeinado, um café tem que ter mais de 97% de sua cafeína retirada.
Preparo do café:
Café Percolado: nesse caso a água passa pelo café torrado e moído, extraindo-lhe parte das substâncias que irão compor a bebida. A preparação do café percolado pode ser:
- A frio: o café torrado e moído é deixado em infusão em água fria por um período de cerca de 12 horas. O resultado é um café muito forte, geralmente utilizado no preparo de bebidas frias ou servir como ingrediente em culinária.
- A quente sem pressão e com filtro: neste tipo de preparo obtém-se o café filtrado, despejando água quente (não fervida) sobre o café torrado e moído que se encontra em um filtro ou coador.
Café espresso: neste método o café é percolado a quente, mas sob pressão em máquina apropriada. A máquina pode ser comercial ou doméstica.
Café instantâneo: também chamado café solúvel, os grânulos de café preparado industrialmente são simplesmente dissolvidos diretamente em água fervente.
Características da Bebida:
A bebida pode ser caracterizada por vários fatores como a doçura, o amargor, acidez, corpo e aroma.
- Doçura: são cafés mais finos, mais adocicados e permitem a degustação sem adição de açúcar. O excesso de grãos verdes, pretos ou ardidos, não apresenta doçura perceptível;
- Amargor: é o gosto produzido pela cafeína, que é mais equilibrado nos cafés de melhor qualidade. O café com amargor muito forte, que incomoda a garganta, é proveniente de café de baixa qualidade ou de uma torra muito acentuada.
- Acidez: é a sensação obtida na parte lateral da língua mais desejável pelo consumidor europeu.
- Corpo: é uma sensação na boca causada por uma persistência no paladar, o que enriquece a bebida.
- Aroma: os bons cafés têm um aroma bem pronunciando. A maior acidez do café permite maior percepção ao aroma, que pode ser – frutado, florado, achocolatado ou outros.
Um bom exemplo de amante dos cafezinhos é o nosso pintor Cândido Torquato Portinari (1903 – 1962). Produziu quse 5 mil obras entre pequenos esboços a gigantescos murais.
Alcançou projeção internacional de grande destaque.
Nasceu numa fazenda de café, Santa Rosa, no interior de São Paulo, filho de imigrantes italianos. Sua vida no interior de São Paulo foi inspiração para perenes obras, onde podemos observar o café como insumo artístico de suma importância.
Em suas obras, o pintor conseguiu retratar questões sociais sem desagradar ao governo e aproximou-se da arte moderna européia sem perder a admiração do grande público. Suas pinturas se aproximam do cubismo, surrealismo e dos pintores muralistas mexicanos, sem, contudo, se distanciar totalmente da arte figurativa e das tradições da pintura. O resultado é uma arte de características modernas.
Uma das obras mais importantes de Portinari, O lavrador de café, foi furtada do segundo andar do MASP na madrugada do dia 20 de dezembro de 2007, em uma ação de três minutos, juntamente com o quadro Retrato de Suzanne Bloch, de Picasso. Estas obras foram resgatadas e restituídas ao museu dia 8 de janeiro de 2008, sem sofrer avarias.
Outra obra importante de Portinari utilizando como pano de fundo café...
O café pode ser usado com criatividade, em pratos salgados ou doces...
PERNIL AO MOLHO DE CAFÉ
Ingredientes:
Para a marinada:
1 pernil de mais ou menos 4kg
400g de bacon
10 dentes de alho cortados ao meio
molho inglês
2 cebolas grandes em cubos
2 copos de vinho branco seco
1 cenoura grande em rodelas grossas
1 talo de alho poro em rodelas
200ml de molho pronto barbecue
Sal
Pimenta-do-reino e vermelha
8 folhas de louro
2 cravos da índia
Para o molho:
1 xícara (chá) de café forte e de preferência instantâneo
1 colher (sopa) de molho de pimenta
Salsa picada e limão
Modo de preparo:
Deixe o pernil de molho na água durante 1 hora para sair todo sangue.
A seguir, com uma faca de ponta faça furos e introduza tiras de bacon.
Deixe macerando de um dia para outro na geladeira com a marinada.
No dia seguinte, escorra o pernil do tempero, reserve a marinada, leve ao forno brando coberto com papel alumínio, cozinhe lentamente, até espetar o garfo na carne com facilidade.
Retire o papel e deixe assando até dourar, de vez em quando vire-o e regue com a marinada.
Quando estiver com o dourado desejado passar um pouco de manteiga com mel e assar por mais 15 minutos sem regar mais.
Junte a marinada que sobrou mais os insumos do molho e deixe reduzir no fogo, quando estiver na espessura desejada é só coar e servir.
Acompanhamentos: Arroz branco, batatas, farofa, legumes ou ainda frutas...
Boa Sorte!!!