7 de maio de 2010

Antologia Parnasiana

Parnaso – Morada Simbólica dos poetas.



Para apreciadores da sétima arte essa próxima sexta feira foi de grande espera.

O mundo Imaginário do Doutor Parnassus, fará sua estréia.




Mais que desejado esse filme vem como acalento, se for possível, pela perda abrupta de Heath Ledger... Sempre luzidio, envolvente e talentoso; levou e fez pequenas produções serem grandes filmes para posteridade.
Incessantemente elogiado a cada cena da sua interpretação de Coringa em Batman - O Cavaleiro das Trevas.







O ator morreu em Nova York, deixando órfã sua pequena filha Matilda e sem rumo o amigo Terrence Vance Gilliam, diretor de O mundo Imaginário do Doutor Parnassus.






Terrence, encontrou saída com os amigos Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel, que deram um passo à frente e se ofereceram para terminar o papel que o australiano interpretava.

E quer saber? Se o filme fosse pensado inicialmente dessa forma, não ficaria tão interessante.

As cenas em que os três atores aparecem, se passa dentro do mundo imaginário do Dr. Parnassus, lugar onde todos podem ser quem realmente são ou sonham ser. E por isso, a mudança de atores, que muita gente pode até estranhar no início, vem a calhar.

Terrence é considerado da classe dos parnasianos, mesmo diante da modernidade. E, diga-se de passagem, parnasiano louco... completamente louco!!!






Seu novo filme retrata justamente isso.





De dentro de sua mente levemente enlouquecida, Rs... Desvairada, saem águas vivas gigantes, balões de ar em formatos de cabeça flutuando por mundos coloridos, bocas que são "chupadas" nos rostos das pessoas, cobras que aparecem do contorno de rios e escadas sem fim.
Não há dúvida que Parnassus é o meio termo das loucuras imaginárias de Terrence com o que há de melhor da computação gráfica.

Em suas viagens entre o mundo imaginário e o real, o filme ainda consegue criticar as pessoas que estão sempre atrasadas a ponto de deixar de sonhar e principalmente ao capitalismo.


Ao falar sobre loucura, lembro logo de Drummond em:


Soneto da loucura


A minha casa pobre é rica de quimera
e se vou sem destino a trovejar espantos,
meu nome há de romper as mais nevoentas eras
tal qual Pentapolim, o rei dos Garamantas.

Rola em minha cabeça o tropel de batalhas
jamais vistas no chão ou no mar ou no inferno.
Se da escura cozinha escapa o cheiro de alho,
o que nele recolho é o olor da glória eterna.

Donzelas a salvar, há milhares na Terra
e eu parto em meu rocim, corisco, espada, grito,
o torto endireitando, herói de seda e ferro,

e não durmo, abrasado, e janto apenas nuvens,
na férvida obsessão de que enfim a bendita
Idade de Ouro e Sol baixe lá nas alturas.

DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. 100 poemas. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. p.358.




Talvez a obra de Terrence não agrade a todos. E acredito ainda que jamais conseguira atingir tal feito. Sua mente funciona em uma freqüência diferente. Seus sonhos são mais coloridos e devaneios mais sinistros!

Terrence além de trazer um passado azarado tem reputação de estourar orçamentos e má bilheteria em Irmãos Grimm e Contraponto.

A situação chegou a tal ponto que, em 2006, ele posou de brincadeira com um cartaz que dizia: "Cineasta sem estúdio tem família para sustentar. Dirijo em troca de comida".






Pensando nisso fica a minha proposta:

Em troca de um belo prato de comida;

Terrence, você faria um filme para mim?
Hahahahaha... O filme certamente não, mas eu faria comida sim para Terrence.

Costela assada em baixa temperatura ao Cabernet Sauvignon e mil folhas de batatas.




Aqui vai a receita do molho onde as costelas serão submersas e adormecidas por 24 horas.
Esse molho é delicioso!!!

(Marinada) molho Cabernet Sauvignon

Insumos:

Vinho Cabernet Sauvignon 1l (para 1,5kg ou 16 unidades de costela)
Cebola 2 unidades grandes em cubos
Cenoura 1 unidade grande em cubos
Aipo um ramo em cubos
Alho poró 1 unidade em cubos
Alho 6 unidades (dentes inteiros)
Folha de louro 6 unidades
Pimenta do reino 15 grãos
Grão de coentro 10 unidades
Tomilho, alecrim e cebolinha meio ramo de cada
Sal grosso à gosto

Modo de preparo:

Colocar todos os insumos em um recipiente e deixar marinar por 24h. Levar a preparação em seguida ao forno com papel de alumínio, 60 graus, em tempo suficiente para que as costelas fiquem macias. Retirar do forno, deixar o caldo que sobrou reduzir um pouco numa frigideira grande e glacear as costelas antes de servir.

Boa sorte!!!

2 de maio de 2010

Ao amor...

Amor... Vermelho!





Hoje acordei com amor em mim! Rs...

Amor de sentimento; de sentir pura e simplesmente a sensação.
O ato sombrio, alegre e pulsante que é amar.

Lembrei de uma conversa que tive a poucos com uma amiga, onde falamos da importância de se amar... Amor próprio sem exageros é significativamente importante para sobreviver em primeiro lugar e em segundo viver!
Viver bem...

Fui trabalhar ouvindo Regina Spektor e Taylor Swift, tamanho estado de amor.

Pensei num post de amor para seguir o dia no clima do despertar.

Imagina uma poesia remetida ao amor onde a sensibilidade idílica pode realmente ser traduzida em vocábulos.


As Sem-Razões do Amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade

Bravo! Bravíssimo...

E ao som agora de Pink Floyd (Works)... "Embryo". *

*Works é uma coletânea da banda Pink Floyd, editada em 1983.O disco foi lançado pela Capitol Records para competir com o The Final Cut. Apesar de ter sido fraco nas vendas, o disco é procurado por colecionadores por conter a faixa "Embryo", até então gravada apenas em uma coletânea da gravadora Harvest Records.

Ouso em dizer, até por ser apenas cozinheira, que:
Plabo Neruda toca minha alma ainda mais que Drummond em XX:

Poema XX

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe”.
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.

A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.

Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.

Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
Pablo Neruda






E por inspiração quase que instantânea, num lapso de vão momento.

Assim


Amar e amar de chorar,
De não querer dormir para sentir mais...
E olhar desejando ter
Beijar enlouquecida mente.

Sentir a vibração da pele.
O cheiro.
Carinho na alma dos que sofrem é amor!

Palavras desnecessárias para olhos com fúria de toque,
Fúria de mais,
Quente, sóbrio, apertado.
Amor.

Correr e pensar...
Entediado e vazio aqueles que não se dão o direito de amar.
De ser feliz, simplesmente ser.
Sem fazer mal, sem exigir, demandar, requerer.
Apenas amar.
Isabel Melsert






Para homenagear o amor, pensei em uma preparação que remetesse a paixão...

Algo vermelho, vibrante, vivo...
ARROZ VERMELHO!!!







Trazido pelos portugueses em 1535, este foi o primeiro tipo de arroz a chegar ao Brasil, pela capitania de Ilhéus (Bahia).
Nesta região, não obteve muito êxito.

Somente nos séculos XVI e XVII teve boa aceitação no Maranhão, onde por volta de 1765 chegou o arroz branco.
Em 1772, a Coroa de Portugal proibiu a plantação do arroz vermelho na região para dar lugar ao branco, consumido pela metrópole.

Daí em diante, o cultivo do arroz migrou para a região Semi-árida, onde ainda é encontrado, principalmente no Estado da Paraíba.

Conhecido também como arroz-da-terra e arroz de Veneza. Região onde se pode encontrar facilmente arroz vermelho é o Vale do Piancó, composto por 21 cidades, no Alto Sertão Paraibano, é o refúgio deste alimento, concentrando a maior área plantada do país.

Plantado predominantemente por pequenos agricultores, como lavoura de subsistência, sem o uso de qualquer tecnologia, esse cereal pode ser considerado um produto ecologicamente limpo, pois nunca recebeu qualquer tratamento com agrotóxicos. Os sistemas de cultivo praticados até hoje são bastante rudimentares e apresentam baixos níveis de produtividade. Outros estados que cultivam este tipo de arroz são: Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará, Bahia e Alagoas.

O arroz vermelho (Oryza sativa L.) é considerado um dos principais alimentos da dieta alimentar nordestina, sendo a base de diversos pratos da culinária regional como Arrubacão, à base de feijão-de-corda e queijo coalho; baião de dois; arroz de leite com carne de sol, sopa de arroz, entre outros. “Trata-se de um alimento altamente saboroso e consumido por todas as classes sociais. O mercado é muito grande e a produção muito pequena", explica o pesquisador José Almeida Pereira (Embrapa Meio-Norte), autor do livro “O Arroz Vermelho Cultivado no Brasil”.

Uma ótima marca desse arroz é:





Vermelho

Gostar de ver você sorrir
Gastar das horas pra te ver dormir
Enquanto o mundo roda em vão
Eu tomo o tempo
O velho gasta solidão
Em meio aos pombos na Praça da Sé
O pôr do Sol invade o chão do apartamento

Vermelhos são seus beijos
Que meigos são seus olhos
Ver que tudo pode retroceder
Que aquele velho pode ser eu
No fundo da alma há solidão
E um frio que suplica um aconchego

Vermelhos são seus beijos
Quase que me queimam
Que meigo são seus olhos
Lânguida face
Seus beijos são vermelhos
Quase que me queimam
Que meigos são seus olhos
Lânguida face

Ver que tudo pode retroceder
Que aquele velho pode ser eu
No fundo da alma há solidão
E um frio que suplica um aconchego
Vanessa da Mata




Esse arroz é cozido normalmente como o branco, sendo um pouco mais demorado, por ter o grão mais duro, e necessitando assim de um pouco mais de água.
Esse foi meu almoço...

Arroz vermelho, frango grelhado ao molho de laranja, alecrim e pimenta rosa.





Quem sou eu

Minha foto
Apaixonada por artes, vinhos, temperos e sabores. Formada em gastronomia pela Universidade Estácio de Sá e Alain Ducasse Formation. Início de carreira Passando pelas Confeitarias Colombo e Kholer, e estágio com Gerci Trevenzolli. Trabalhou como Chef de cozinha do Vieira Souto 500, Café d'France, Restaurante Zéfiro, Marias e Amélias Buffet, Sernambetiba Bistrot, e Restaurante Fiammetta - Rio Design Barra.